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Título: CURSO COMPLETO - Contratransferência no trabalho analítico e psicoterápico  
 
 


  CURSO COMPLETO - Contratransferência no trabalho analítico e psicoterápico - Ministrado em 2012 (14 aulas, em 7 CDs de áudio MP3)

Autor(es): Gilberto Safra

Editora: Instituto Sobornost (a obra de Gilberto Safra)

Área(s): 

1 livreto (4 pág.) + 7 CDs de áudio

Preço: R$ 390,00

  Disponibilidade: envio em 2 dias úteis + prazo do frete

Descrição:

Curso completo em 14 aulas, ministrado em 2012
Aulas gravadas em CD de áudio MP3


AULAS DO CURSO


Aula 1: Contratransferência: panorama histórico e progressos da Psicanálise – 06/03/2012
Aula 2: Ferenczy e Otto Rank: contribuições à técnica psicanalítica. – 13/03/2012

Aula 3: A contribuição de Mabel Blake Cohen: contratransferência e ansiedade. – 20/03/2012
Aula 4: A contribuição de Ralph Crowley ao estudo da contratransferência: a instrumentação dos sentimentos do analista – 27/03/2012

Aula 5: A contribuição de Eduard Tauber ao estudo da contra transferência a partir do vértice ético – 03/04/2012
Aula 6: Clara Thompson: a importancia da personalidade do analista na situação clínica – 10/04/2012

Aula 7: As identificações concordantes e complementares na contratransferencia: a contribuição de Henrich Racker – 17/04/2012
Aula 8: Heinrich Racker (parte 2): diferentes ansiedades contratransferenciais – 24/04/2012

Aula 9: A contribuição de Harold Searles: o sintoma psicótico como aparição do inconsciente do analista – 08/05/2012
Aula 10: Atitude profissional do analista como fenomeno transicional: a visão de Winnicott sobre a contratransferência – 15/05/2012

Aula 11: O ódio na contratransferência: a contribuição de Winnicott (primeira parte) – 22/05/2012
Aula 12: O ódio na contratransferência: a contribuição de Winnicott (segunda parte) – 29/05/2012

Aula 13:  A Contribuição de PaulaHeimann ao estudo da contratransferência: a atenção flutuante e a sensibilidade como instrumento de investigação – 05/06/2012
Aula 14: Contratransferência com borderlines: a contribuição de Gabbard – 12/06/2012



TRECHO INICIAL DA AULA 1

Neste semestre  vamos focar o conceito de contratransferência de um ponto de vista histórico. No ano passado vimos a transferência. (CURSO COMPLETO - Transferência: a evolução do conceito)

Vamos abordar diferentes autores e escolas, que contribuíram para discutir a questão da contratransferência. Vamos fazer um percurso pelo qual vamos observar e refletir como o conceito foi se estabelecendo, quais os destinos que historicamente foi cumprindo.

Ao longo da historia, mais e mais à medida que anos se passaram, o conceito de contratransferência passou a ser referido e pode-se observar que os analistas foram sentindo a necessidade de abordar este conceito de maneira cada vez mais rigorosa e também com todas as tematizações decorrentes das possíveis expansões do conceito e sua aplicação no campo da clínica.

Desde os primeiros trabalhos de Freud e Breuer (1875) já há uma referência ao conceito do que mais tarde iria ser chamado de contratransferência. Vou passar brevemente sobre um texto de Freud de 1910 e hoje ainda vou focá-lo mais profundamente. No inicio da aula vou analisar o que ocorreu do ponto de vista global com o conceito e depois vamos estudar mais profundamente quais são os aportes de Freud no texto de 1910.

Já neste ano Freud assinalava que, do seu ponto de vista, os fenômenos contratransferenciais deveriam estar fora do trabalho clínico. A perspectiva que Freud assinala é que o analista deveria funcionar como espelho, sem grande envolvimento com o paciente. E portanto o fenômeno contra transferencial não participaria no trabalho clínico propriamente dito.  Esta é a posição inicial de Freud e ela é semelhante  à posição que tinha  frente a própria transferência, como sendo um elemento perturbador!

Vimos no curso sobre Transferência como Freud foi integrando mais e mais o conceito de transferência, até considerar que o trabalho psicanalítico era fundamentalmente um trabalho que acontecia na situação transferencial.

Algo semelhante ocorrerá com a contratransferência. No inicio, quando aborda esse conceito de contratransferência,  Freud fala que no trabalho clinico não deveria comparecer a contra transferência porque seria um elemento perturbador. No entanto o que se pode perceber pelos relatos das análises de Freud da época, é que Freud não se comportava exatamente da maneira como conceituou. Havia um modo de Freud conduzir a análise de forma que ele estava muito presente, pessoalmente mais presente do que ele chegava a tematizar nos seus artigos teóricos.

Se Freud assinala no início do seu pensamento que a contratransferência deveria estar fora do trabalho clínico, qual o destino desse fenômeno que era reconhecido como perturbador do trabalho clínico?
 
A solução inicial dada por Freud foi a que havia encontrado para si, ou seja, que a contratransferência deve ser elaborada no trabalho de auto análise. Esta é sua posição inicial. Podemos observar historicamente que a maneira como os analistas foram abordando a questão da contratransferência sofre modificações à medida que os analistas também começam a teorizar a respeito da clínica (teoria da técnica). Vamos observar que esta teoria da técnica também sofre transformações dependendo de como os analistas se posicionam diante da clínica e diante dos fenômenos que precisam integrar a partir das observações clínicas que faziam.

Um fator bastante significativo no início da história da psicanálise é o esforço de Freud, com a ajuda de alguns discípulos, de ir construindo aquilo que nós denominamos de metapsicologia. Isso representou a criação de um referente teórico sempre presente e sempre à mão, a partir do qual se poderia pensar o fenômeno clínico. Foi um grande esforço. Do ponto de vista da teoria da técnica, no inicio da Psicanálise, o que se pode perceber é que esses primeiros analistas, os pioneiros, compartilhavam uma crença, que se percebeu depois que era uma grande ilusão. Esta crença partia da idéia que se fosse feita uma interpretação de um fenômeno psíquico a partir da metapsicologia, nós teríamos uma cura psíquica. Se tratava de auxiliar o paciente a tornar o inconsciente, consciente, a partir da metapsicologia.

 
   
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