A cultura – ensina Bauman – é um inimigo natural da alienação, um audacioso movimento humano para se libertar da necessidade e conquistar a liberdade de criação. Nesse livro, o sociólogo faz uma revisão crítica do conceito de cultura nas ciências sociais, percorrendo um longo caminho, que vai dos gregos antigos até o pós-estruturalismo. Em cada um dos três ensaios, examina as principais correntes de pensamento que estudaram o significado da cultura na sociedade. Assim, desfaz muito da confusão produzida pela tentativa de integrar o processo cultural no interior do discurso científico e apresenta uma proposta inovadora: alinhar os fenômenos e manifestações culturais no campo da práxis – a atividade livre, universal, criativa e autocriativa pela qual os homens transformam o mundo em que vivem.
Um livro que reflete Bauman no que ele tem de melhor em termos de profundidade, sutileza e perspicácia.
SOBRE O AUTOR ZYGMUNT BAUMAN - sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Responsável por uma prodigiosa produção intelectual, recebeu os prêmios Amalfi (em 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto) e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra). Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia.
O tema da resiliência tem ganhado cada vez mais destaque, em uma época que nos expõe a todo tipo de adversidade.
Neste livro, prefaciado pela Dra. Mathilde Neder, mestres e doutores em psicologia analisam o tema da resiliência e suas aplicações nos mais diversos contextos: São exploradas as relações da resiliência com temas como infância, velhice, espiritualidade, organizações e outros.
AUTORES:
Ana Maria Galrão Rios Ceres Alves de Araujo Daniela Borba Gustavo Orlandeli Marques José Roberto Pretel Márcia Barreto Maria Aparecida Mello Maria Cecilia Menegatti Chequini Marilena Dreyfuss Armando Renata Jordani Barbosa
Apresentação da Dra. Mathilde Neder
O tema da resiliência tem sido justamente explorado, nos últimos anos, com a força que merece. Resiliência tem sido vista, experienciada ou pensada em diferentes áreas: seja na psicologia ou sociologia, seja na área empresarial ou institucional, na comunitária ou mercadológica.
Salienta-se na Resiliência a capacidade para o enfrentamento, para o fortalecimento ao encarar a adversidade. É salientada na Resiliência a capacidade para adaptação ou recuperação, para resistência ou superação, com flexibilidade. É salientada, também, na experiência do resiliente, a capacidade para a resignificação da situação problemática, o que lhe possibilita ou facilita o processo positivo de construção ou reconstrução.
Com essas condições, o resiliente consegue reverter as situações em seu favor, enfrentar situações de risco, de enfermidades, conhecendo-se mais, confiando e contando mais consigo mesmo, no seu autoconhecimento e autocuidado.
Conhecimentos como esses são de alto interesse para o campo da Psicossomática e Psicologia Hospitalar, em qualquer dos ambientes em que se viva - nos hospitais, nas famílias, nas escolas ou comunidade em geral. Daí a importância que reconhecemos nos estudos e trabalhos sobre a Resiliência, em nosso Núcleo de Psicossomática e Psicologia Hospitalar. São estudos que, neste livro, mostram-se de significativa importância.
Os artigos aqui apresentados exploram temas relativos aos ciclos de desenvolvimento humano, particularmente a infância e a velhice, explorando também os temas: medidas em resiliência, psicoterapia por técnicas corporais, abordagem organizacional, abordando também temas relativos à expatriação, além da ética, já mencionada.
Em Mentes Ansiosas – Medo e ansiedade além dos limites, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva - autora de Mentes Perigosas, Mentes e Manias, Bullying – Mentes Perigosas na Escola e Mentes Inquietas - fala sobre os transtornos causados pelo medo e a ansiedade. A diferença entre os dois sentimentos e como eles podem dominar a vida das pessoas são algumas das questões pelo livro.
"Até que ponto o medo é necessário para a nossa sobrevivência? Qual a dose de medo saudável? Quando o medo vira uma doença?". A partir destes questionamentos sobre um sentimento comum a todos os seres humanos, independente da idade ou da posição social, autora inicia o livro em busca de respostas, com base em sua experiência clínica.
Segundo estudos internacionais, os transtornos relacionados à ansiedade afetam entre 15 e 25% da população. Isso significa que, num grupo de cinco pessoas, é bem provável que uma sofra de síndrome do pânico, estresse pós-traumático, ansiedade crônica, fobias ou TOC. Todos esses distúrbios estão relacionados a níveis patológicos de angústia e preocupação - quando o medo e a ansiedade em excesso trazem prejuízos expressivos ao indivíduo.
Conforme estabelece a Associação de Psiquiatria Americana, os transtornos de ansiedade podem aparecer de diversas formas e com diferentes graus de intensidade:
1 - Súbitos ataques de pânico, que podem evoluir para o transtorno do pânico. 2 - Fobia social ou timidez patológica, na qual as pessoas percebem ameaças potenciais em situações sociais e em exposição ao público. 3 - Medos diversos ou fobias simples, cuja ameaça provém de estímulos bem específicos (animais, lugares fechados, chuvas, avião, etc.) 4 - Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), quando se vive experiências traumáticas significativas (seqüestros, perdas de entes queridos, acidentes, etc.) 5 - Transtorno de ansiedade generalizada (TAG), que se caracteriza por um estado permanente de ansiedade, sem qualquer associação direta com situações ou objetos específicos 6 - Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), no qual a mente é invadida por pensamentos intrusivos e sempre de conteúdo ruim (obsessões), que desencadeiam rituais repetitivos e exaustivos (compulsões), na tentativa de exorcizar tais ideias.
Mentes Ansiosas oferece explicações claras sobre o que acontece quando a ansiedade e o medo extrapolam os limites da normalidade e como é possível superar os distúrbios, além de trazer ferramentas para a compreensão das origens da ansiedade e do medo e para o enfrentamento do que pode vir a ser o maior inimigo de muitos indivíduos: as preocupações incessantes que teimam em assolar a mente humana.
Este livro deseja demonstrar que quem se sente culpado não consegue amar nem apreender o mundo. O sentimento de culpa é patológico, doentio, além de manter e sustentar a imensa maioria das denominadas doenças mentais. Ele é, novamente, ao contrário do que se costuma pensar, um sentimento oposto à vivência de responsabilidade pessoal e à experiência libertadora inerente ao verdadeiro envolvimento amoroso.
SOBRE OS AUTORES
Paulo Sergio Rosa Guedes é médico e psicanalista e Julio Walz é psicólogo e psicanalista.
NOTA DOS AUTORES
Comecemos com uma pergunta: sentir culpa é algo bom e proveitoso para a vida? Em uma enquete provavelmente as respostas teriam este teor: é ruim sentir culpa, muito ruim, mas senti-la é um ato de reconhecimento dos erros que se cometeu e é a única chance que se tem para melhorar e reparar as falhas cometidas. Ou seja, as respostas, pensamos nós, iriam na direção de que sentir culpa é algo essencial para a melhoria da pessoa, apesar de que é muito ruim ter este sentimento, mas necessário para perceber a própria responsabilidade. Este, a nosso ver, seria o resultado de uma investigação – enquete - que tratasse deste assunto.
Dizemos nós: é preciso que se consiga um novo olhar sobre o que se chama sentimento de culpa. É preciso e necessário. Sem uma visão nova, clara e definida sobre isto, não se pode vislumbrar o estrago que, inadvertidamente e aparentemente sem querer, fazemos em nossas vidas. Fica parecendo que sofremos por sentir culpa, temos a impressão de que somos vítimas dela e que nada podemos fazer para nos livrar disto.
Não, nosso olhar está mal posicionado, este ponto de vista é totalmente ilusório. Mantemos a culpa e sua forte tensão emocional para tentarmos, assim, evitar o sofrimento, contornar a sensação de impotência frente a vida que é absolutamente incontornável. Afirmamos “evitar o sofrimento”. Não temos dúvida de que este é o fator essencial na manutenção do sentimento de culpa. Tentaremos explicar melhor.
Nosso grande problema é justamente o não saber como se criam as coisas, as dificuldades, os prazeres, enfim, de onde vêm as vicissitudes de nossa vida. Mas, precisamos saber, claramente, que elas fazem parte de nós, são essenciais em nossa vida, sem elas nada podemos experimentar, nem de bom nem de ruim. Como é muito difícil aceitar e conviver com este fato, tentamos substituí-lo por achar causas, culpados, responsáveis, etc., etc. Aí o denominado sentimento de culpa, daí a vida sem sentido, daí o sentimento de estar apenas passando o tempo em vez de aproveitá-lo.
E o mais grave, mais prejudicial: dizemos a nós mesmos que não desejamos, de modo algum, sentir culpa, e não sabemos que estamos, convictamente, mentindo para nós próprios, enganando a nossa consciência, tudo isto, aparentemente, em favor de poder viver melhor.
Discutimos com maior amplitude o tema do sentimento de culpa num livro que publicamos há pouco tempo, denominado O Sentimento de Culpa, onde estabelecemos com clareza que ele é, sem dúvida, um sentimento delirante de grandeza.
ARTIGO NO JORNAL ZERO HORA (PORTO ALEGRE) SOBRE O SENTIMENTO DE CULPA- 17/05/2008
Nossa eterna inimiga, a culpa Por OSWALDO GIACOIA JR -Filósofo da Unicamp
Este é um livro que pretende complicar a vida de quem não a usufrui totalmente. Estuda a culpa - fonte inesgotável de sofrimento - destaca a responsabilidade - base da possibilidade de um viver pleno - e agora, martelo e formão a postos, deseja explorar o material humano, no qual acredita firmemente, para as atividades criativas e, portanto, de amor". Depois de concluída a leitura de O Sentimento de Culpa, tem-se a prova plena do cumprimento desse intento: a mensagem complica a vida daquele que pretende vivê-la à sombra do sentimento de culpa, pois o livro demonstra que culpa e onipotência são sinônimos, só que a onipotência da culpa é vácua, irreal, mórbida. Também para Nietzsche, o diagnóstico da culpa é que ela foi inventada essencialmente com o objetivo de punir, com base na vontade de castigar, de fazer sofrer e encontrar uma razão que justifique a punição. Nessa trilha, o livro de Guedes e Walz se apóia sobre duas teses teóricas muito fortes e muito consistentemente defendidas por seus autores, tanto com base em teoria psicológica quanto em experiência clínica psicanalítica. De acordo com uma delas, o sentimento de culpa, de natureza inconsciente, é um elemento patológico nocivo, que provoca intenso sofrimento psíquico e impede o pleno amadurecimento da personalidade. Trata-se de uma patologia que tem sua raiz num delírio de onipotência, ilusão brotada de uma condição psíquica infantil, como forma de compensar um sofrimento nascido da fraqueza e da incapacidade de enfrentar as inevitáveis limitações de nossa finitude. O culpado tem necessidade de sentir que o curso do mundo, com a parte nele representada pelo próprio indivíduo, poderia ter sido inteiramente diferente daquele que se determinou - e mais, que a responsabilidade por esse curso alterável reside no próprio culpado. Ele, o culpado, sente culpa tanto por ser o que ele é, quanto por sentir-se obrigado a ser diferente do que é. Aparentemente, trata-se de assumir a responsabilidade por suas ações, por seus modos de ser, sentir e pensar. Mas essa responsabilidade é ilusória, delirante, no fundo, compensação pela própria pequenez, que se denega, hipertrofiando a própria importância e valor. Tomo como exemplo privilegiado aquele da morte do avô de um dos autores. O jovem passou a se sentir culpado pela morte do avô, interpretando-a como uma conseqüência de uma visita não feita ou negligenciada. Ora, essa posição afetiva dá bem a dimensão dessa onipotência delirante: a morte de meu avô é culpa minha. Reação infantil, incapaz de lidar bem com a experiência de limites, sobretudo da perda. A outra tese, igualmente sólida, apoia-se na primeira, e como que a desdobra: não existe nenhuma relação positiva entre o sentimento de culpa e o sentimento de responsabilidade pessoal, ao qual se liga a noção de liberdade e capacidade de esculpir a própria vida. Como a culpa tem raiz inconsciente, ela não pode ser compatível com a responsabilidade, que pressupõe a consciência. Essa responsabilidade é então, ao mesmo tempo, pressuposto e conseqüência do amadurecimento pessoal, da faculdade de assimilar e metabolizar vivências e experiências, tanto positivas quanto negativas, o que implica em assumir realisticamente os limites da própria pessoa. É nele que se funda também, do ponto de vista dos autores, a possibilidade de relacionamento amoroso autêntico, pois somente na base de um si mesmo autêntico é que se pode construir pontes de relação com a alteridade, inclusive a mais forte e maravilhosa de todas, a do amor, que aceita e acolhe a diferença. O sentimento de culpa, ao contrário, rebaixa, diminui, faz sofrer, adoece e perpetua a enfermidade, enfim, é um círculo vicioso infernal. Ele fixa o psiquismo na dependência de um remoer e ressentir a culpa, e com isso ele impede o culpado de crescer psicologicamente. "O sentimento de responsabilidade permite-nos aprender com a experiência interna e externa das nossas ações. Ele nos deixa no presente. Aliás, não nos esqueçamos que a culpa é a essência da doença mental e, portanto, sua força está em nos deixar no passado. Melhor trazer o passado para o presente, mesmo que muitas vezes de forma não evidente, e anular o dia de hoje como possibilidade. E como a culpa é um estado permanente de evocação, nossa memória de aprendizado fica bastante prejudicada." Sentir culpa é uma maneira eficaz de deixar tudo como está, de não atuar para mudar o que é realmente modificável, de modo que o delírio de onipotência do culpado é, no fundo, a elaboração afetiva da acomodação, da resignação. É tão grande o peso opressivo da culpa que, no limite, ele é esmagador, e apenas deixa espaço para a auto-acusação que não cessa, mas retorna eternamente como um fardo. Tornar-se o que se é pressupõe uma renúncia consciente à compensação alucinatória da culpa. Só assim podemos dar forma à nossa existência, fazer de nossa vida uma matéria ética, modelando-a, esculpindo-a, inserindo-a na bela forma da obra de arte. Friedrich Nietzsche é por certo uma das principais referências teóricas dessa obra. Guedes e Walz fecundam a interpretação que fazem da filosofia de Nietzsche com a grande tradição da psicanálise de Freud e com as principais de suas correntes atuais. Ora, Nietzsche foi um pensador atento tanto para os insidiosos labirintos da culpa, da má consciência e do remorso, como também da necessária tarefa de dar estilo à própria existência. Por isso, o livro é também um testemunho eloqüente, sóbrio e literariamente belo da produtividade extraordinária do trânsito criativo entre a filosofia, a psicanálise e a literatura. Ele nos ensina - e muito - , além de ser fonte de enorme prazer estético. "Aqui uma confissão pessoal e afetiva nossa. Consideramos o tratamento psico-analítico uma das maiores criações do homem durante o final do século 19 e seguintes, se não a maior. A possibilidade de uma pessoa trocar seus sentimentos de culpa por sentimentos de responsabilidade pessoal, e com isso adquirir liberdade, de pensamento e de conduta, é, realmente, algo excepcional. Poder herdar verdadeiramente sua vida, esculpi-la com sua marca, amá-la e vivê-la plena e satisfatoriamente é uma dádiva que a pessoa que se sente infeliz pode dar a si própria. E à pessoa de Sigmund Freud deve a humanidade essa possibilidade". Que a paixão desse testemunho sirva como estímulo ao leitor para pensar a fundo essa possibilidade e a dádiva que ela propicia: a de receber de si a herança da própria vida.
Com textos de especialistas, entre os quais Gilberto Safra e Kleber Duarte Barretto
Demais autores:
Alexandre de Souza Piné Arthr Tufolo Carla Alessandra Barbosa Gonçalves Carolina Yuki Fujihira Carolina Guimarães de Baptista Caroline de Oliveira Melo Vidal Daniela Della Torre Julio Cesar Ramos de Oliveira Marcelo Soares da Cruz Maria Silvia Logatti Maurício Porto Ricardo Telles de Deus Sheila De Marchi Tânia Possani
Esta obra apresenta casos clínicos de Acompanhamento Terapêutico (AT) bem articulados nas teorias psicanalíticas, pisicodinâmicas e fenomenológicas úteis para estimular a reflexão sobre a práxis e sobre a produção de conhecimento científico em Ciências Humanas. Este livro reúne a riqueza da diversidade que instiga a refletir sobre as experiências de AT e sobre estímulos para a produção de investigações clínicas a respeito da intersubjetividade, dos cuidados e de seus inevitáveis impasses. Os autores, clínicos que trabalham como psicoterapeutas, psicanalistas, acompanhantes terapêuticos (at), professores e pesquisadores de pós-graduação na cidade de São Paulo, brindam-nos com a apresentação de casos clínicos com articulações teóricas filosóficas, psiquiátricas, psicanalíticas, fenomenológicas e literárias.
Sumário
Acompanhamento terapêutico: contribuições de Minkowski;
O acompanhamento terapêutico e a reforma psiquiátrica;
Quando o biopoder namora o acompanhamento terapêutico;
Reflexão de uma experiência clínica no campo do acompanhamento terapêutico, sustentado por uma visão filosófica;
Considerações sobre o acompanhamento terapêutico no envelhecimento;
A importância do trabalho em equipe;
Acompanhando Rita;
A deficiência, o acompanhamento terapêutico e a experiência de visibilidade;
Um aspecto do manejo na análise de uma paciente psicótica: o valor clínico do acompanhamento terapêutico;
A proximidade do encontro: o acompanhamento terapêutico e os impasses da experiência clínica; Acompanhando Sorôco, sua mãe, sua filha: reflexões sobre a ética do acompanhamento terapêutico;
Vazio e presença viva: reflexões sobre a experiência de um acompanhamento terapêutico; Clariceando o acompanhamento terapêutico;
AT e ArTe;
Por onde anda o acompanhante terapêutico.
INTRODUÇÃO
Por Luciana Chauí-Berlinck Psicanalista, acompanhante terapêutica, membro da AAT, mestre em filosofia pela FFLCH USP, doutora em psicologia pelo IP USP. Professora do curso de especialização em psicopatologia e saúde pública da faculdade de Saúde Pública USP, professora da graduação em Psicologia das Faculdades Integradas de Guarulhos. Autora do livro Melancolia - Rastros de dor e de perda
O Acompanhamento Terapêutico (AT) é um campo de difícil definição tal sua diversidade e amplitude. É praticamente impossível dizer qual é, exatamente, a função de um acompanhante terapêutico (at). Observamos que a indefinição está presente em todos os aspectos dessa atividade inclusive quanto ao perfil do acompanhante. Essa indefinição é tanto geradora de angústia para os profissionais que atuam como ats como, também, é o que proporciona uma maior amplitude de possibilidades de atuação e reflexão para o campo. Este livro é um exemplo vivo da afirmação acima, o que observamos já no primeiro instante em que nos acercamos de seu sumário, que, de fato, retrata o próprio campo do AT. Ou seja, há neste livro uma diversificação de pensamentos e autores que possuem em comum o fato de desejarem fazer uma reflexão sobre a prática do AT. Os temas são os mais variados, assim como as teorias que dão suporte às várias reflexões, espelhando a diversidade do fazer do AT. Dessa maneira, este livro é de fundamental importância, pois traz para o leitor a real dimensão dessa prática. Vemos os autores percorrer as experiências de psiquiatras e revelar como a história do AT surge da história da própria psiquiatria e das críticas a ela feitas. Outros trazem reflexões filosóficas que nos fazem entrar por outra dimensão desse fazer e nos levam a pensar o homem e o mundo a partir de diferentes referenciais. São também relatados casos que nos emocionam e nos permitem compreender de uma maneira menos racional o fazer e a importância do AT. Somos, por assim dizer, pegos pelo coração. Ao ler cada um dos capítulos podemos nos aproximar do AT tanto pelo universo foucaultiano como pela fenomenologia de Heidegger como pela experiência de Minkowski, assim como a grande referência à psicanálise decorrente da história mesma do surgimento do AT. Não menos significativas são as experiências, angústias e alegrias de cada acompanhante e de cada acompanhado nos acercam desse fazer de maneira inusitada. O livro nos dá a real noção da amplitude de ações de um at, a variedade de casos que podem ser atendidos por esse tipo de atividade e os vários referenciais em que cada acompanhante, em sua singularidade, se baseia para pensar e agir em seu fazer. Por esse motivo, todo aquele que estiver próximo ou que queira aproximar-se do campo do AT deve ler a fundamental contribuição trazida por este livro.
Curando com histórias Um clássico de Gilberto Safra agora em 2ª edição, com nova apresentação do autor.
Este livro é vendido exclusivamente através da Livraria Resposta.
Sobre Curando com histórias
Este livro é voltado tanto aos profissionais da área clínica quanto às famílias e principalmente aos pais. Trata-se da apresentação, bastante didática, de um método de consulta terapêutica através da qual são criadas histórias infantis que levam em consideração a problemática enfrentada pela criança e buscam uma forma de superá-la.
Este procedimento terapêutico, além de respeitar o mundo imaginativo que é fundamental a todo ser humano, possibilita aos pais uma participação ativa no tratamento de seu filho(a), não só auxiliando na elaboração da história, mas a contando à criança. Há também um efeito terapêutico sobre o pai e a mãe, uma vez que estes recuperam a confiança na capacidade de promover o desenvolvimento de uma criança antes paralisada por angústias que, geralmente, decorrem de dificuldades dos próprios pais.
Este trabalho, escrito em 1984 como dissertação de mestrado de Gilberto Safra, foi agora totalmente revisto por ele, incorporando a experiência e a evolução do seu pensamento teórica resultantes de um percurso clínico de mais de vinte anos.
Kleber Duarte Barretto (extraído do Prefácio do livro)
Veja o que diz o autor a respeito do método apresentado neste livro
Ao observar o que a Psicologia Clínica em nosso meio tem a oferecer para o atendimento da população infantil, notamos que temos basicamente o diagnóstico e a psicoterapia, esta última sempre de longo prazo e de custo muito alto.
No trabalho diário do psicólogo clínico, é cada vez maior a necessidade de contar com procedimentos que possibilitem intervir em momentos em que, pelo incremento da angústia, ocorre uma parada no processo maturacional da criança e o aparecimento de sintoma indicador de conflito, ou naquelas situações de crise provocadas pelo fluxo natural da vida (mortes, mudanças, separações, etc.). Por outro lado, necessitamos também que estes procedimentos sejam economicamente viáveis e portanto passíveis de serem usados no trabalho preventivo e institucional.
Uma das soluções está neste método de consulta terapêutica, através do qual, com no máximo três sessões, tenta-se trabalhar com a angústia emergente da vida emocional infantil.
É um procedimento que utiliza histórias infantis como meio de intervenção, por ser uma forma lúdica de expressão compatível com a vida mental da criança e também pelo fato de as histórias favorecem o aparecimento dos conceitos winnicottianos de espaço potencial e de fenômenos transicionais, fenômenos esses que são fundamentais para que o trabalho seja realizado sem que a criança se sinta invadida e para que lhe seja possível retomar criativamente o devir do seu self.
Gilberto Safra
MENSAGEM DE SONIA NOVINSKY SOBRE A SEGUNDA EDIÇÃO DESTA OBRA Queridos colegas e amigos,
É com muita alegria que estamos lançando a segunda edição do livro Curando com Histórias.
Nestes seis anos desde que lançamos a primeira edição, este livro tem ajudado muitos pais, educadores e terapeutas a lidar com a dificuldade das crianças para superar as paradas no processo maturacional.
Sim, porque histórias pertinentes ao momento da criança podem significar a retomada do desenvolvimento, dando significado a situações traumáticas, a emoções dissociadas, recuperando o domínio do eu sobre estados transbordantes. Enfim, eliminando os obstáculos que bloqueiam o bom fluir do processo maturacional. Esse foi o livro que inaugurou as Edições Sobornost, que aliás comemora seu sexto aniversário neste mês de junho. Desde então, com mais de 350 aulas do Prof. Gilberto Safra publicadas em DVD ou em CDs de áudio, a Sobornost segue seu percurso em direção a uma clínica baseada na ética. Que para Gilberto significa o respeito à condição humana e suas facetas fundamentais pois a teoria, a técnica e os modelos se submetem sempre à ética na proposta clínica de Gilberto.
Para quem clinica isto significa basicamente uma disponibilidade de ajudar o próximo empaticamente, seja no consultório, na escola, na família ou nas instituições. E contemplando a consequência inevitável de que o método clínico é sempre investigativo, já que é impossível aceitar um modelo fechado, sendo o ser humano um ser aberto. Ou seja, a pesquisa, formalmente conduzida ou não, é sempre parte inerente do método clínico.
Finalmente, quando se fala em clínica (e contar histórias é sempre parte da clínica) há sempre um e o outro em disponibilidade, para que se alcance a comunicação curadora, que funda o nós, que supera o que jazia quieto na dor silenciosa. Ou, como pontua Clare Winnicott (autora que estudamos neste semestre), supera as perdas, as separações e permite a elaboração do luto.
Curando com histórias simboliza também a coerência e a consistência do pensamento de Gilberto, pois sendo seu primeiro livro, é também seu ponto de chegada, neste momento da sua trajetória. Em que mostra como a importância do brincar com o adulto, a comunicação presente no brincar, se harmonizam totalmente com a atividade de contar histórias.
Este livro é ao mesmo tempo simples, didático e pragmático, mas pressupõe a complexidade do ser humano, perdedor inevitável mas inquebrantável cadinho de sonho e esperança. Esperamos que vocês possam usá-lo com sua própria criatividade, inventando as histórias que adultos e crianças necessitem para que seus percursos sejam retomados em comunidade de destino, ou seja, em Sobornost.