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Derrapadas em Marketing - coluna de Silvio Lefèvre publicada no jornal PropMark - Propaganda & Marketing
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Silvio Lefèvre apresenta: A DERRAPADA DA QUINZENA (Nº 109)
NÃO RESPONDA!!!
Esta coluna foi publicada no jornal PropMark - edição de 08/02/2010
Prezado leitor, Um amigo enviou uma mensagem de reclamação para o site do Carrefour e recebeu por email esta resposta: "Prezado cliente, agradecemos o envio de sua mensagem ao Serviço Amigo do Cliente Carrefour. Seu contato está registrado em nossa central sob o número (...). Para nos retornar, por favor, não responda ao remetente deste e-mail. Retorne na opção de enviar um E-mail pelo site Carrefour". O endereço de email de origem desta mensagem do Carrefour é naoresponder@carrefour.com Este é apenas um exemplo de uma mesma inacreditável derrapada cometida por grande número de empresas que, em vez de terem o foco no cliente, o tem voltado para seu próprio umbigo. Sim, pois você já imaginou qual seria a sua reação se recebesse um email de alguém e esta pessoa ou instituição o proibisse de respondê-lo, obrigando você a entrar num site ou telefonar para dar sua resposta? Ou se alguém lhe telefonasse mas o proibisse de falar ao telefone... Só o interlocutor teria o direito de falar. Você só poderia ouvir e se tivesse algum comentário ou ressalva a fazer só poderia fazê-lo por escrito, por carta ou por email... Como marqueteiro da internet eu sei bem a razão pela qual tantas empresas cometem este absurdo. É que nelas os informáticos mandam mais do que os marqueteiros e impõe a eles aquilo que é mais cômodo para eles mesmos, internamente. Sem dúvida é mais fácil para a empresa centralizar todas as mensagens recebidas de clientes num único canal, do tipo gerenciador de "chamados", onde tudo fica cadastrado sob num mesmo número e fica assim bem fácil de localizar o histórico da reclamação do cliente. Por isso impõe aos clientes a obrigação de só responder usando aquele canal de conveniência interna. Não gostam de receber emails de clientes sobre um assunto que começou no site, devido ao trabalho que dá para identificar esses emails no meio de milhares (inclusive mensagens de erro) que chegam em seus endereços de email corporativos e então casá-los num mesmo processo referente àquele cliente. Só esquecem de um pequeno detalhe: é que se eles usaram o email para mandar uma mensagem ao cliente não tem o direito moral de impedir que o cliente responda a esta mensagem utilizando o mesmo canal que a empresa usou para chegar a ele. Não adianta criarem esses ridículos endereços de email naoresponda@isso ou noreply@aquilo pois nem assim os clientes irão se conformar em deixar de responder pelo mesmo canal em que foram abordados. Se os marqueteiros acordarem e botarem os informáticos em seu devido lugar, isto é, a serviço do marketing e não contra ele, certamente lhes dirão "virem-se e arrumem um jeito de permitir que as respostas de clientes aos emails sejam processadas diretinho e, se necessário, novamente respondidas ao cliente pelo mesmo caminho". Ah, será necessário ainda fazer com que os "jurídicos" também se ponham a serviço do marketing e botem de lado suas ressalvas quanto ao cuidado em não estabelecer um diálogo por escrito com o cliente, para não "fazer prova" em juízo, caso a pendência acabe em litígio. É fundamental para o marketing enquadrar o pessoal de sistemas e os advogados pois se os desejos deles forem todos atendidos, em pouco tempo não haverá mais reclamações de clientes, nem pendências na justiça, pela simples razão que a empresa, depois de agredir os clientes com suas exigências absurdas, acabará não tendo mais clientes suficientes para sobreviver. E aí, os informáticos, advogados e marqueteiros irão todos para a porta da rua, por excesso de zelo em proteger a empresa das intempéries, esquecendo-se que ela depende, principalmente, da sua boa imagem junto aos clientes e esta, por sua vez, da forma como estes são tratados, principalmente no pós-venda. Tem outro detalhe, que esses ceguinhos não vêem. É que não pode haver maior contra-senso (além de nada mais antipático) do que um endereço de email assim: naoresponda@qualquercoisa. O marketing em geral e principalmente o marketing direto, praticado pela internet, precisa o tempo todo de respostas, tanto que inventaram até o conceito da resposta direta e a disciplina do marketing de relacionamento para nomear esta prática saudável de sempre manter contato com o cliente e querer respostas dele, seja como for. Fica então bem patente o absurdo da empresa dizer a seu cliente, de qualquer forma que seja: "não responda!" A palavra "não" é maldita em marketing. Quem semeia "não" colhe outro não.
Abraço,
Silvio Lefèvre
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Derrapadas recomenda este brilhante local de reflexão do colega colunista do jornal PropMark
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O que são Derrapadas e porque fizemos delas o nosso alvo. Pelo colunista, Silvio Lefèvre.
O mundo do marketing e da propaganda no Brasil tem o péssimo costume de ser essencialmente auto-laudatório e badalativo. As vaidades e os interesses comerciais e de carreira impedem que se reconheçam publicamente os erros, mesmo aqueles que internamente chegam a provocar de puxões de orelha a demissões de executivos.
Isto explica (mas não justifica) porque tão raramente aparecem comentários críticos sobre marketing ou propaganda na nossa imprensa (com gloriosas exceções, como a do jornal PropMark, que publica minha coluna).
Ora, nos Estado Unidos, pátria do marketing, isto não é assim. Críticos do marketing e da propaganda escrevem em diversos veículos, e o mais famoso desses críticos é Gordon Lewis, cujo brilhante livro Marketing Mutilado editamos no Brasil. (ver na coluna da direita).
Por isso, um profissional de marketing americano que leia português (se é que existe algum) e acompanhe a maioria das nossas revistas e jornais irá pensar que todas as empresas e agências de propaganda do Brasil são perfeitas e que todos os seus profissionais são gênios que nunca erram, pois só se fala nos prêmios que ganharam e nas contas que conquistaram. Quando uma conta troca de agência, é porque houve "reposicionamento estratégico", ou por "alinhamento", nunca porque algo não estava dando certo. Com o site Derrapadas nós chegamos para preencher essa lacuna no Brasil. Pois, em nosso entendimento, nada melhor do que a crítica e a discussão dos cases que apresentam falhas para melhorar a performance dos profissionais do nosso mercado de uma forma realmente séria e para aperfeiçoar os próprios procedimentos das empresas.
É através da apresentação e discussão dos erros que melhor se aprende como evitá-los e como fazer as coisas certo.
A cada duas semanas apresentamos um novo case de Derrapada, seja com base em experiências e observações pessoais do próprio colunista (Silvio Lefèvre) seja com base em colaborações espontâneas de profissionais do mercado a esta coluna, comentadas pelo colunista.
Nosso desejo e nosso objetivo é que todos nós aprendamos muito com os erros alheios, para procurar reduzir ao máximo os nossos... pois ninguém (nem o colunista) pode se considerar previamente vacinado contra derrapadas.
Quem é o colunista das Derrapadas

Silvio Lefèvre, que escreve esta coluna, é diretor da Resposta Editorial e da Livraria Resposta. Membro do Conselho de Administração da ABEMD (Associação Brasileira de Marketing Direto) até 16/08/2009, quando pediu demissão em protesto contra o endosso de um código de auto-regulamentação altamente danoso para a atividade, Silvio foi presidente desta entidade e membro do International Advisory Board da DMA, a Direct Marketing Association, dos Estados Unidos.
Sociólogo, com graduação e mestrado pela Universidade de Paris (Sorbonne), atuou como jornalista na Abril Cultural, de onde migrou para o marketing e dirigiu a house agency especializada em marketing direto Grupo Abril. Atuou posteriormente na Credicard e nas agências Ogilvy & Mather, Leo Burnett, Propeg e na sua própria empresa de pesquisa e consultoria, a Resposta MD.
Mais recentemente fundou o BraiNeed, conveniado com instituições de ensino americanas como a University of Michigan Business School e a Boston University.
Foi professor das disciplinas Marketing Avançado e Marketing Direto na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing).
É autor dos livros Marketing Direto Ao Vivo no Brasil (Makron, 1994) e Marketing Direto em 100 Perguntas e Respostas (publicado pela ABEMD em 1996, reeditado pela Credicard em 1998 e com terceira edição pela Resposta Editorial em 2005 (ver ao lado).
Foi eleito pelos profissionais do mercado como Personalidade do Marketing Direto 1994 (ABEMD).
É colunista do jornal Propaganda & Marketing (PropMark)
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Este livro é um grito de alerta contra a burrice, a pretensão, o exibicionismo, a arrogância, o imediatismo, a ganância e por vezes até a falta de escrúpulos de tantos profissionais de marketing e de propaganda. Pelo mais competente criador daquela propaganda que realmente vende: Gordon Lewis.
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O profissional de marketing e a cultura
Por Silvio Lefèvre Sociólogo, diretor da Livraria Resposta Artigo publicado no jornal Propaganda & Marketing de 21/05/2007
Em recente artigo, sob o título “Aprender a Aprender”, o colega colunista José Roberto Whitaker Penteado destacou a importância de uma sólida cultura geral para os profissionais de marketing e da propaganda. Escreveu então que ambos os tipos de profissionais lidam com os consumidores – que são pessoas – e com os fatores do que o professor Kotler chamou de “ambiente externo”. O ambiente externo é o mundo. E o mundo é feito de geografia, história, política, economia, biologia, química, engenharia, arte, arquitetura, música, cinema, teatro, esporte – em uma palavra: cultura. Mas as pessoas são ainda maiores do que o mundo: cada uma detentora do seu universo interior, que a sociologia, a antropologia e a psicologia tentam abraçar e compreender.
Relembrei este oportuno texto do colega por estar cada vez mais abismado com a indigência cultural de certos colegas publicitários e marqueteiros, que se reflete no simplismo e por vezes no baixo nível de tantas campanhas e mensagens publicitárias que vemos por aí. Em vez de abrir cada vez mais os olhos para o mundo, sempre mais complexo e merecedor de estudo, tornou-se moda entre muitos marqueteiros virar "especialista" em alguma coisa, arrotar sabedoria a partir de regrinhas óbvias ditadas pela “experiência” e achar que, em função disto, não precisam aprender mais nada, porque já sabem tudo.
Tenho um indicador disso no retorno aos informativos da livraria virtual que dirijo, a Livraria Respósta, que oferece uma selecionadíssima bibliografia de ciências humanas, de algumas editoras selecionadas (que posiciono como "o melhor das melhores"). Quando envio o informativo à lista dos assinantes desta coluna Derrapadas, o retorno é excelente, demonstrando que meus leitores são profissionais de cabeça aberta, interessados em ler e aprender e com uma ampla gama de interesses culturais. Porém quando envio a listas genéricas de gente de empresa, alguns profissionais (felizmente uma minoria) pedem para serem excluídos do mailing, por vezes até de forma agressiva ou, mais freqüentemente, com um educado "eu não sou desta área, sou de marketing” ou "sou de empresa"...
Gente, o que isso? Desde quando ser de marketing, de propaganda ou de empresa exclui a cultura? Desde quando um profissional de marketing pode se dar ao luxo de não ler Dostoievski e Kafka, não saber em que século e a que movimento musical pertenceu Brahms, não se interessar por psicologia e achar que Chiang-Kai-Check era um chinês que passava cheques sem fundo?
Fiel à minha curiosidade de sociólogo e ex-pesquiseiro, sempre questiono essas pessoas sobre os porquês do desinteresse pelos livros e a maioria das respostas invariavelmente aponta para a “falta de tempo”. Indo mais a fundo, descubro que a falta de tempo destes executivos é bem genérica, pois eles também não lêem livro algum sobre a sua “especialidade”, freqüentemente não lêem nem mesmo os jornais diários, raramente revistas de interesse geral ou especializadas, ignorando tudo o que chega pela palavra escrita (salvo as notícias de futebol, as fofocas do BBB e os badalos de Caras).
Como eles não deixam de ir às baladas e acompanhar o “Brasileirão”, deduzo que esta falta de tempo é apenas uma desculpa para outra coisa: acomodação, preguiça mental, aliada a uma inacreditável (e injustificável) pretensão ao saber profissional. E aí me pergunto: Como podem então, tais “alienados”, sem estudar e entender o mundo, pretender montar estratégias vencedoras para empresas competirem no tão complexo mercado global que, como lembra o nosso JRWP, é formado por interesses, mentes e almas extremamente diversificados? Não me espanta que, para isso, apelem apenas para a “criatividade”, a “inspiração” e muito freqüentemente, até rejeitem fazer pesquisas para definir estratégias. Pesquisas exigem que se pense, que se estude, que se ouça outras vozes, e que se tenha capacidade de interpretá-las à luz de uma cultura que eles não têm nem querem ter. Melhor então serem apenas geninhos “criativos”. Afinal, acham eles, o que um “artista” faz não se discute, é arte! (como se arte não pudesse ser discutida e entendida como inserida na sociedade e na cultura).
Corremos hoje o enorme perigo da hiper especialização, em que legiões de jovens incultos, nada curiosos, mas auto-confiantes em sua própria ignorância, que aprenderam meia dúzia de regrinhas em aulas ou palestras que assistiram (já que têm preguiça de ler o que os palestrantes escreveram antes) começam a fazer carreira nas empresas e agências como grandes “especialistas” ou geniais “criativos”. O resultado depois nós vemos em campanhas formuladas “no joelho”, sem conceito lógico, sem diferenciais tangíveis, ou tão absurdas que parecem terem sido feitas pelo concorrente para desmoralizar aquele anunciante – e também nos comerciais TV com piadinhas bobas ou grosseiras, rimas pueris e jogos de palavras que poucos no público entendem e todos logo esquecem, geralmente nem percebendo qual era o produto anunciado.
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