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Descrição:
CURSO COMPLETO MINISTRADO EM 2009
Aula 11: O objeto idolizado e a perversão – 10/11/2009 Aula 12: Objeto interno confrontado: a reconstrução na perversão- 17/11/2009
SOBRE O CURSO COMPLETO Diálogos winnicottianos: a contribuição de Masud Khan
Neste curso Gilberto Safra faz um trabalho de explicitar os momentos teóricos e clínicos em que Masud Khan se aproxima dos conceitos winnicottianos para se apropriar deles de forma pessoal e reposicioná-los em seguida, contribuindo de forma original para o pensamento do grupo Independente. Ao longo de seu trabalho teórico e clinico dialogará com Winnicott e também com Marion Milner, Guntrip e Margareth Little, representantes do grupo independente , além de dialogar com o próprio Freud.
Aula 11: O objeto idolizado e a perversão – 10/11/2009
TRECHO INICIAL DA AULA
Na aula passada vimos como a contribuição de Khan enfatiza fundamentalmente uma das características da perversão que é o desenvolvimento da técnica da intimidade: intimidade vista como técnica e não como experiência do self . Vimos como através da técnica da intimidade o perverso seduz, obriga o outro a ser seu cúmplice. Khan também aponta que há nesse tipo de situação um uso regressivo de uma idealização das satisfações pré-genitais. Estaríamos frente a um quadro onde não tanto haveria a satisfação da sexualidade, mesmo em níveis pré genitais, mas sim o uso defensivo do erotismo pré genital como defesa frente às angústias subjacentes ao comportamento perverso. Para Khan também, este comportamento perverso, esta organização defensiva perversa teriam sim, em seu bojo, a esperança de que a pessoa poderia vir, através da atuação perversa, a expandir o próprio self. Embora, pelas características que todo comportamento adquire, não chegue de fato a realizar uma experiência de intimidade, de comunicação significativa. Nós vimos que, para Khan, essa hipertrofia do erótico como uso defensivo teria como objetivo fundamental defender o indivíduo contra angústias arcaicas. Angústias que estariam referidas aos estados precoces da constituição do self. Khan aproxima a perversão de um uso psicopatológico dos objetos transicionais. Só que neste tipo de situação, o cúmplice, o parceiro, alcançam o estatuto de objeto transicional, sem de fato abrir as possibilidades que um objeto transicional de fato poderia abrir.
Aula 12: Objeto interno confrontado: a reconstrução na perversão- 17/11/2009
TRECHO INICIAL DA AULA
Na ultima aula nós vimos o conceito de objeto idolizado de Khan. Este autor, no estudo das perversões, vai apontar que nos textos de Freud sobre a perversão este assinala que subjacente a toda ação, a toda organização perversa, na raiz de toda situação de perversão, haveria como característica fundamental deste tipo de situação, uma intensa elaboração anímica. No nosso estudo da aula passada quando Khan assinala o objeto idolizado, vimos como este objeto refere-se à necessidade de na ação ou na atuação perversa, que a pessoa, por meio do objeto idolizado, possa reencontrar uma experiência primordial referida ao anseio de encontrar aquela situação de experiência intercorpórea relacionada ao cuidado do bebê por sua mãe. Mas Khan, justamente guiado por essa colocação de Freud (que subjacente à perversão afirma que há uma elaboração anímica )e somando às colocações que faz sobre o trauma cumulativo (ver aulas anteriores), também se interessa por ver na situação de perversão como o objeto idolizado estaria na interioridade do self, quais os componentes anímicos, imaginativos, de fantasia, que estariam sendo articulados por esse objeto interiorizado em meio ao self. Ou seja, tem interesse de não só poder observar a função que esse tipo de objeto tempo, no sentido de auxiliar a pessoa a manter a esperança. De poder reencontrar na experiência uma relação encenada na ação perversa como anseio de uma comunicação especial intercorpórea (nos casos que investigou essa experiência nunca é encontrada na ação perversa). Mas ele quer também explicitar as características subjacentes ao objeto interiorizado, características imaginativas, de fantasia. Se encontrar estes componentes imaginativos se poderia, nestas facetas imaginativas deste objeto, estabelecer um processo de reconstrução.
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