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Descrição:
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Série: Visão clínica de Gilberto Safra
Investigação
psicanalítica de experiências de self: a religiosidade, a espiritualidade, o
sagrado e o místico.
Curso completo ministrado em 2010
Aula 11: Princípios da Prática do
Espírito: da Grécia à Foucault - 17/11/2010
Aula 12: Práticas espirituais: a universalidade na tradição - 24/11/2010
SOBRE ESTE CURSO
O curso que ora apresentamos pretende
possibilitar que os estudantes possam reconhecer as experiências de self
denominadas religiosidade, espiritualidade, experiência do sagrado e mística,
discriminando cada uma dessas experiências a fim de que possam manejar esses
fenômenos na prática clínica e também pesquisá-los e investigá-los na situação
clínica.
O autor central deste
curso é um filósofo russo, Andrej Horujy, que se alinha com os autores da
chamada Idade da Prata russa, ao pensar o Homem como ser aberto, para cima, para
baixo, para os lados e as conseqüências desta abertura para a vida humana, como
ser um ser em constante constituição. Em constante diálogo com a psicanálise
este curso permite nos capacitar para identificar quando as experiências
religiosas, espirituais, místicas acontecem de fato, sendo possibilidades de
transformação ou quando são tamponamentos da abertura ontológica do ser humano,
tais como se dá de forma bastante comum na pós modernidade.
Trecho inicial da aula 1 - Religiosidade, espiritualidade e fenômenos
místicos: fronteiras antropológicas – 18/08/2010
Nesse semestre vamos fazer um percurso em que vamos tratar de alguns temas que
habitualmente tem sido deixados de lado na Psicanálise e também na Psicologia.
São temas que tratam da religiosidade, da religião, da espiritualidade, dos
fenômenos místicos. São fenômenos importantes para nos debruçarmos não só pela
freqüência com que estão presentes na situação clínica, mas também pela
importância que eles possuem na constituição de self e porque, como eu disse,
esses temas nem sempre foram tratados com empenho que exigem, seja no campo da
psicologia clínica, seja no da psicanálise.
O que vou passar para
vocês durante este semestre refere-se a diferentes observações, investigações,
que tem sido feitas dentro do campo da psicologia clínica e da psicanálise,
justamente para que possamos nos aproximar das características destes fenômenos.
A leitura preponderante de tudo que vamos tratar será feita principalmente por
uma descrição fenomenológica dos processos, afim de que possamos caracterizar
de forma mais precisa e acurada os diferentes fenômenos e as suas possíveis
significações para o ser humano e para a situação clínica. No inicio da
psicanálise, segundo alguns autores, o seu grande Outro eram os fenômenos
histéricos a partir do quais esta se iniciou com Freud. Analogamente, hoje, os
autores acham que estes fenômenos, religiosidade, espiritualidade e fenômenos
místicos são o grande Outro da situação psicanálitica contemporânea. E
não só da psicanálise mas o grande Outro das ciências em geral.
Temos como fenômeno
histórico que a psicanálise se origina em meio ao projeto cientifico moderno
que procurava investigar os diferentes fenômenos por meio dos procedimentos
científicos. O que nós temos na atualidade é uma decorrência de todo esse
projeto, isto é, o fato de termos uma cultura excessivamente definida pelo
horizonte tecnológico, pelo excesso de racionalidade, de nomeação, o que faz com
que fenômenos muito peculiares, subjetivos, apareçam de uma forma inusitada.
Por exemplo, o que vai aparecer na década de 60, na literatura psicanalítica são
as personalidades como se, isto é,personalidades simulacros e
outras similares,
Esses diferentes temas, por estarem dentro do campo supostamente da
irracionalidade, foram deixados de lado. Na história da psicanálise temos os
primeiros artigos em que Freud aborda estas questões, comparando religião com
sintomas obsessivos . Há toda a polêmica que ele teve durante longo período com
o pastor Pfeister, grande interlocutor de Freud neste assunto, que, sob a tensão
deste diálogo, escreveu O futuro de uma ilusão. Mas a ênfase da
Psicanálise foi tratar a religiosidade como um aspecto defensivo: diante do
desamparo o ser humano precisaria do pai ideal para lidar com esta questão do
desamparo. Ao longo das nossas aulas, para fazer estas discussões, vou me
utilizar principalmente da antropologia de um filósofo russo contemporâneo que,
como outros, vem discutindo estas questões: Sergey Horujy.
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