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Livro: Medo líquido

 
 
 
Livro: Medo líquido

 

Medo líquido


Autor(es): 

Zygmunt Bauman

Editora:  Zahar
Área(s): 

ISBN: 9788537800485


Páginas:240 pág.


Preço: R$ 0,00
  Não Disponível

Descrição:


O ser humano vive hoje em meio a uma ansiedade constante. Temos medo de perder o emprego, medo da violência urbana, do terrorismo, medo de ficar sem o amor do parceiro, da exclusão. O resultado? Temos que nos atualizar sempre e acumular conhecimentos, circulamos dentro de shopping centers, dirigimos carros blindados, vivemos em condomínios fechados. O medo é uma das marcas do nosso tempo. Em seu novo livro, Bauman faz mais um estudo singular sobre a vida contemporânea e revela um inventário dos medos atuais.

O autor mapeia as origens comuns das ansiedades na modernidade líquida e examina mecanismos que possam deter a influência do medo sobre as nossas vidas.

Segundo Bauman, as certezas da modernidade sólida se foram, e, com isso, a utopia do controle sobre os mundos social, econômico e natural desmoronou. Em mais um estudo singular sobre a vida contemporânea, Bauman divide com o leitor suas análises sobre o tema.

Tradução: Carlos Alberto Medeiros


SUMÁRIO

Introdução: Sobre a origem, a dinâmica e os usos do medo

1. O pavor da morte
2. O medo e o mal
3. O horror do inadministrável
4. O terror global
5. Trazendo os medos à tona
6. O pensamento contra o medo


SOBRE O AUTOR

ZYGMUNT BAUMAN, sociólogo polonês, iniciou sua carreira na Universidade de Varsóvia, onde teve artigos e livros censurados e em 1968 foi afastado da universidade. Logo em seguida emigrou da Polônia, reconstruindo sua carreira no Canadá, Estados Unidos e Austrália, até chegar à Grã-Bretanha, onde em 1971 se tornou professor titular da Universidade de Leeds, cargo que ocupou por vinte anos. Responsável por uma prodigiosa produção intelectual, recebeu os prêmios Amalfi (em 1989, por sua obra Modernidade e Holocausto) e Adorno (em 1998, pelo conjunto de sua obra). Atualmente é professor emérito de sociologia das universidades de Leeds e Varsóvia. Tem mais de dez obras publicadas no Brasil pela Zahar, todas elas de grande sucesso.

Obs: todas estarão em breve na loja da Livraria Resposta

 

 



Resenha publicada no suplemento Cultura do jornal O Estado de S.Paulo em 17/02/2008

Por Lilia Moritz Schwarcz *


Bauman, um visionário na sociedade da paranóia

Franklin Roosevelt concluiu seu discurso de posse, em 1933, dizendo: ?Permitam-me afirmar minha crença inabalável de que a única coisa que devemos temer é e próprio medo.? No filme Alice nas Cidades, de Wim Wenders, a personagem principal confessa só ter medo do seu medo. O fato é que vivemos numa época de temores: difusos, dispersos e indistintos. Criamos uma parafernália de mecanismos que nos auxiliam a ter a ilusão de que controlamos o imprevisto. Carros blindados, edifícios murados, vidros escurecidos, condomínios fechados; todo esse conjunto lega a frágil certeza de que estamos protegidos. Mas o efeito final acaba sendo oposto: quanto mais nos protegemos, mais nos sentimos inseguros, com medo do que conhecemos e do que está por vir.

 

E essa sensação não é nova. Lucien Febvre tratou da experiência de se viver na Europa do século 16 e a resumiu da seguinte maneira: ?Medo sempre e em toda parte.? O historiador mostrava, em Le Problème de L?Incroyance Au XVI Siècle, os vínculos profundos que se estabeleciam entre medo e escuridão. A incerteza diante da imensidão que se configurava fora do lar gerava a constante sensação de perigo, manifesta numa série de documentos de época. Outros autores dedicaram-se ao tema, analisando seu impacto em diferentes momentos históricos. Um dos mais conhecidos é Phillipe Ariès, que escreveu sobre a morte no Ocidente, examinando as saídas rituais que foram sendo criadas, sempre no sentido de trapacear com a morte.

Mas, se parece mais fácil olhar para contextos distantes, já tratar do presente tem se revelado uma empreitada problemática: poucos foram os trabalhos que cuidaram de nossos próprios medos. Não me refiro aos estudos sobre violência, ou às análises acerca da desigualdade social. Penso nos ensaios que abordaram o medo como objeto específico de análise. É certo que relatos de genocídios ou do Holocausto exploraram facetas mais escondidas de nossa inserção no mundo. Primo Levi, por exemplo, narrou em seus livros com imensa sensibilidade e dureza a experiência de ser um prisioneiro num campo de concentração e a dificuldade de viver em um mundo que tenha ?naturalizado? tal tipo de vivência e incorporado o medo. Esse não foi o caso de Levi, que denunciou enquanto pôde os monstros que existem dentro de nós. No entanto, o fato é que temos destinado um local especial a esse tipo de literatura, chamando-a de ?relato de delação?, sendo que caberia a ela incorporar tais reflexões. Mais uma vez, falar das fragilidades alheias é mais fácil e confortável do que vislumbrar as nossas próprias.

É em torno desse tema atual e polêmico que se detém o sociólogo Zygmunt Bauman. Professor emérito de sociologia das universidades de Varsóvia e Leeds, Bauman teve seus livros e artigos censurados em 1968, sendo obrigado a exilar-se primeiro no Canadá, depois nos Estados Unidos, mais tarde na Austrália, fixando-se após um tempo na Inglaterra. Tal situação propiciou-lhe a condição de estrangeiro em qualquer lugar e uma visão cosmopolita e compreensiva acerca do que chama de nossa ?modernidade líquida?. Famoso por seu estilo a um só tempo claro e desafiador, o sociólogo tem se revelado um grande pensador/ provocador de nossos tempos. Em sua vasta obra, tem dedicado um lugar especial a temas da contemporaneidade. Além do mais, na contramão dessa naturalização do medo, nesse seu novo livro - Medo Líquido (tradução de Carlos Alberto Medeiros) - o sociólogo analisa mais uma faceta desta castigada modernidade.

O livro funciona como uma espécie de inventário de nossos medos, sem recusar os temas menos nobres. Analisa, por exemplo, o fenômeno do Big Brother e o chama de ?contos morais? de nossa época. Mostra como esse tipo de programa e outros reality shows de uma maneira geral acabam por banalizar o medo e a morte, fazendo deles um grande simulacro; quando não um objeto para estetização. É fato que todas as culturas podem ser entendidas como dispositivos engenhosos destinados a adornar o medo e a morte, assim como torná-los mais contempláveis. No entanto, foi a sociedade moderna que os transformou em lucro. O medo vende e atrai público, o que faz com que o circuito torne-se ainda mais perverso. Não há quem não tema o medo, mas não há quem não queira se defrontar com ele, sobretudo quando mediados por uma tela.

Medo também se associa à idéia de mal. Auschwitz, Gulag, Hiroshima gerariam metaterrores; seriam incubadores de medo gestados e difundidos por nossa percepção. Por outro lado, pensar neles implica desejar que se desvaneçam e que fiquem seguros em sua invisibilidade. Hannah Arendt descobriu nos relatórios apresentados pelos doutos psicanalistas chamados a testemunhar no julgamento de Eichmann que o ?comportamento dele era normal?. Aliás, a atitude do nazista teria sido considerada não só ?normal?, mas até ?agradável? em relação à esposa, aos irmãos, aos filhos e aos amigos. O problema reside em pensar que, se Eichmann era ?normal?, nós também podemos ser, ou, quem sabe, somos nós que nos transformamos em bárbaros, quando observados a partir dessa outra lente. Pensando sob outro prisma: se os executores podem ser ?pessoas como nós?, o que mais assusta é vislumbrar a hipótese de que, quem sabe, seríamos capazes de nos transformar naquilo que tanto receamos ser: genocidas, assassinos, nazistas... todos ?normais?.

Nosso temor também se dirige ao que é considerado ?inadministrável?. Temos medo do tsunami, do Katrina e outros desastres naturais. Tememos erros de cálculo e a negligência humana. Medo é, pois, o outro nome que damos à nossa ?falta de defesa?. E tudo isso ganha potência renovada diante desse mundo globalizado, que permite temer o que não conhecemos e, também, aquilo que jamais conheceremos. Diante dessa sociedade aberta nos tornamos ainda mais vulneráveis e nossa segurança é pouco confiável. Vivemos ameaçados por guerras de proporções universais, por conflitos econômicos, políticos e sociais; pela visão apocalíptica de um confronto entre o bem e o mal; pela regionalização da política.

Foi o filósofo Jacques Derrida quem observou como cada morte é o fim de um mundo. Numa época em que o pensamento intelectual está cada vez mais sujeito a suspeitas de toda ordem, nada como um sociólogo do calibre Bauman para nos ajudar a restituir a fé no pensamento e no poder das idéias. Adepto da noção de ?iluminação?, no seu sentido filosófico, ele é quase um ?profeta? de nossos tempos nervosos, mesmo negando ser. É só nesses momentos que Medo Líquido perde um pouco de seu poder de crítica e se converte numa espécie de livro de auto-ajuda, apesar de seu valor intelectual indubitável. Particularmente, prefiro quando Bauman duvida do que quando tem certeza. Afinal, estamos diante de um dos autores mais importantes a tratar da pós-modernidade; adepto de uma sociologia reflexiva e que incide sobre nós mesmos.

Este livro recupera, ainda, o trajeto original de um pensador que, após dedicar-se a estudos do marxismo, passou a analisar a sociedade de consumo para chegar à nossa pós-modernidade. Já em suas análises sobre o Holocausto (e na sua concepção de ?obediência cega? e de ?suspensão de responsabilidade moral?) percebe-se o caminho desse sociólogo que viu na modernidade um processo acelerado de racionalização combinado com uma carga alta de mistificação e, no caso da obra que aqui comentamos, medo. Por isso, a modernidade carrega ao mesmo tempo duas lógicas: é sempre sólida, mas também líquida. O 11 de Setembro desempenhou para a modernidade papel semelhante ao que a Tomada da Bastilha representou para o período moderno. Quem não estava lá pensou que poderia ter estado e, assim, padeceu do mesmo temor. Tendo assolado o mundo dos humanos, o medo é capaz de impulsionar e de se intensificar por si mesmo. Ele é, assim, em boa parte das vezes, não a conseqüência, mas a causa de nossos males devidamente amplificados.

* Lilia Moritz Schwarcz é professora do Departamento de Antropologia da USP e autora de As Barbas do Imperador 


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