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Livro: Revista ide nº 47 - Estrangeiro

 
 
 
Livro: Revista ide nº 47 - Estrangeiro

 

Revista ide nº 47 - Estrangeiro


Autor(es): 

Editora:  .SBPSP - Sociedade Brasileira de Psicanálise - SP
Área(s): 


Páginas:200 pág.


Preço: R$ 40,00
  Disponibilidade: Por encomenda - envio estimado em 15 dias úteis + prazo do frete

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Descrição:

 

Editorial

 

Jassanan Amoroso Dias Pastore

Foi ao abordarmos o entrecruzamento da Psicanálise com a Cultura, no número anterior da revista, que a problemática das fronteiras emergiu. Fronteira tomada como lugar onde se destaca o Outro – diferente/estrangeiro/temido/sonhado – no nosso imaginário.

As questões que se relacionam com a posição do estrangeiro estão entre os problemas mais candentes que a humanidade tem enfrentado. Temos vivido períodos de guerra e de terrorismo entre nações, comunidades, etnias, raças, religiões, períodos que impõem pensar sobre o lugar ocupado pelo estrangeiro no contemporâneo.

Se, de um lado, a figura do estrangeiro se situa na fronteira do subjetivo e do singular com o social e com a pólis, para a psicanálise o conceito de estrangeiro traz outra marca, que coincide com aquele estranho-familiar que não quero ser eu, mas que, não obstante, habita em mim. Nesse sentido, o homem é sempre, por definição, um estrangeiro; ele é impelido por algo que lhe é estrangeiro e não é integrado em si mesmo. Interrogar o estrangeiro é interrogar as relações do eu com o outro, mas, sobretudo, com o outro de nós mesmos.

Em seu texto Psicologia de grupo e a análise do ego, Freud alerta para a dimensão social da vida fantasmática, para o fato de que a Psicanálise, ao formular uma psicologia do indivíduo, comporta sempre também uma dimensão social e coletiva, ou seja, o outro é parte integrante de nossa constituição, considerado que é a partir de quatro posições:

Na vida psíquica do indivíduo, o outro é freqüentemente tomado em consideração, seja como modelo, seja como objeto; ou ainda como aliado, ou como adversário; por isso é inteiramente justificável que se considere a psicologia individual também, desde o início, ao mesmo tempo, como psicologia social, no sentido amplo do termo.

Estaria incluída aí a referência ao(s) outro(s) da cultura e da sociedade – esferas que possibilitam as identificações e contraposições, as ligações de pertencimento e de exclusão, entre o sujeito e o outro. Entretanto, na relação com a cultura e com a alteridade, em certas circunstâncias, criase a condição que tem sido chamada de estrangeiro. Indagar sobre essa condição foi o nosso tema. Orientados por essas considerações, procuramos investigar o lugar do estrangeiro sob alguns ângulos da cultura atual: num mundo globalizado, com ideais de homogeneidade; nos regimes políticos, nas religiões e nas diversas formas de preconceito e de segregação. É na interpenetração das três grandes correntes do pensamento teológico-político do Ocidente – a saber, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo – e nas tentativas de pôr em evidência os paradoxos e as possibilidades da democracia e da tolerância no mundo contemporâneo que o cerne da questão do estrangeiro se mostra inventariado. Nesse registro, é relevante a contribuição de Freud, ao questionar, em Moisés e o monoteísmo (1934-38), as noções de origem e de identidade como instâncias homogêneas e estáticas, e ao considerar que todas as formas de identidade e de origem, que se pretendem uma e una, têm antecedentes diversos. Assim, como sujeitos, constituídos de matéria tão informe e múltipla, somos condenados a identidades provisórias.

O percurso rumo ao reconhecimento do estrangeiro em nós mesmos transporta-nos para uma terra desconhecida, em que as fronteiras são permanentemente desfeitas e reconstruídas. Hostilidade e hospitalidade, desagregação e agregação, exílio e habitação, desterro e morada, desenraizamento e pertencimento coexistem na arriscada travessia de acolhimento do estrangeiro. Jacques Derrida ilumina a questão, ao trazer a idéia de "desconstrução" como princípio fundador da hospitalidade. Desconstrução permanente dos instrumentos metodológicos e epistemológicos da psicanálise diante do estranho que nos aparece a partir da denominada "mundialização da cultura".

Os textos mostram que não se trata, pois, de assimilar o estrangeiro e, ainda menos, de "apagá-lo": cabe à psicanálise sustentar o debate a respeito de como abrir lugar a ele, no sentido de admiti-lo e tolerá-lo no inquietante estranhamento que é de todos nós – ou seja, de como pensar o sentimento de ser estrangeiro tendo como horizonte a perspectiva da hospitalidade que tende a incluir o exercício do jogo da convivência entre identidades flutuantes e díspares em busca de um lance incerto.

Podemos depreender, a partir das reflexões contidas neste número, no que se refere à posição da psicanálise na contemporaneidade, que precisamos, no mínimo, de uma crítica que não se restrinja apenas ao nosso próprio campo, mas que se amplie pelos planos da cultura e da sociedade, em interlocução permanente com outras formas do pensar. Desse modo talvez possamos lidar clinicamente com as múltiplas formas de subjetivação que nela se apresentam, incessantemente, num mundo cada vez mais (des)encantado no que diz respeito à "visitação" do estranho.

 

Os muitos e o Um: Logos mestiço e hospitalidade

Olgária Chain Féres Matos

O objetivo do ensaio é indicar de que maneira o princípio de identidade metafísico se traduz, na política, em fundamentalismos políticos e preconceito. Toda origem é, em si mesma, mestiça, porque mista e misturada. Assim, do puritanismo estético aos fundamentalismos religiosos e ódios étnicos, opera a exclusão do Outro, do diverso, do contraditório, segundo uma lógica da evidência e do incontrovertido. Reconhecer o Outro dentro de nós é acolher um logos híbrido e plural que se traduz em cosmopolitismo e hospitalidade.

Palavras-chave

Alteridade. Cosmopolitismo. Hospitalidade. Identidade. Preconceito.

 

Sobre o fundamental

Adam Phillips

Consideramos fundamentais as coisas que não podem ser submetidas à troca, em torno das quais não devemos negociar. Concebemos nossa civilidade como um produto de nossas crenças fundamentais, e, no entanto, são precisamente essas crenças que nos levam a perder nossa civilidade. A este quadro a psicanálise veio a acrescentar que estamos com freqüência enganados quanto às coisas fundamentais e que nem sempre agimos em nome do que pensamos agir. Isso faz da situação analítica um espaço útil para se discutir nossa adesão a valores fundamentais e o nosso aparente temor quanto ao fundamentalismo.

Palavras-chave

Freud, Sigmund. Fundamentalismo. Psicanálise. Religião. Terapia psicanalítica.

 

A conduta indiferente

Franklin Leopoldo e Silva

O objetivo do texto é compreender certos traços de uma conduta que ganha generalidade na época contemporânea: a indiferença. Não se trata apenas de um comportamento, mas de um modo de ser, razão pela qual é preciso relacioná-la com a construção da subjetividade e com a experiência da alteridade. Para isso utilizamos como instrumentos de elucidação O ser e o nada, de Sartre e O homem sem qualidades, de Musil, procurando indicar que, na filosofia da existência a alteridade interna ao sujeito torna-se meio de constituição da subjetividade por via da liberdade, e no romance de Musil a ausência de unidade substancial redunda na dissolução da realidade subjetiva e na opacidade do mundo objetivo. A indiferença aparece então como uma conduta específica, embora contenha elementos da familiaridade e da estranheza.

Palavras-chave

Alteridade. Consciência. Existência. Fragmentação. Subjetividade.

 

A metapsicologia no horizonte estético: Assombro e estranhamento

Luiz Carlos Uchôa Junqueira Filho

Este artigo procura estabelecer algumas raízes essenciais na caracterização da metapsicologia como um recurso psíquico econômico, dedicado a representar as experiências emocionais através de "artimanhas estéticas". A primeira influência apresentada é o estado de mente de "estranheza" descrito no artigo Das unheimliche de Freud, o par de adjetivos heimliche/unheimliche sendo considerado o termo metapsicológico por excelência. A segunda influência é a contribuição da "Escola Britânica de Estética Psicanalítica", com destaque para os conceitos de "conflito estético" e "reciprocidade estética" de Meltzer e Meg Harris Williams, ilustrados através de uma análise crítica do poema "The tiger" de William Blake; a formação de ideogramas proposta por Bion é exemplificada clinicamente para ressaltar suas implicações econômicas e estéticas. Finalmente, é apresentado um exemplo de "unheimliche cultural", um embate imaginário entre um cavaleiro medieval, Sir Lancelot, e o nosso Lampião, rei do cangaço.

Palavras-chave

Conflito estético. Ideogramaticização. Metapsicologia. Reciprocidade estética. Unheinliche.

 

O vôo do corvo sobre os jardins da Torre de Babel

Luiz Felipe Pondé

Este texto discute o mito da torre de babel tal como aparece na obradofilósofo inglês contemporâneo Michael Oakeshott. Um mito narra uma estrutura ancestral damente humana, nos seus aspectos sociais e psicológicos. Oakeshott trabalha a torre de babel em duas chaves: via filosofia moral, criticando o excesso de racionalismo na moral moderna e iluminando a importância da moral do hábito e do afeto, duramente desqualificada pelo projeto do "paraíso moral racional", e em seguida, via um ensaio literário onde ele retoma o mito de babel para apontar os sintomas psico-sociais de uma sociedade maníaca pela construção social do paraíso.

Palavras-chave

Afeto. Hábito. Perfectibilidadade. Racionalismo. Torre de babel.

 

Sexualidade e pós-modernidade

Luís Carlos Menezes

O autor enfatiza na concepção freudiana do sexual a descoberta de uma indeterminação, de uma imprevisibilidade a priori em seu âmago, e que a torna irredutível, na singularidade que assume em cada um, a qualquer projeto que busque ordem e previsibilidade na condição humana, em sua inserção social. O sexual freudiano encontrado pela psicanálise é, portanto, de saída, refratário a todo projeto racionalista, tanto científico como político, característicos dos ideais da modernidade. Nas sociedades ocidentais atuais, a liberalidade e uma certa liberdade em relação aos comportamentos sexuais parecem levar, paradoxalmente, apesar dos ganhos que representam, a uma sexualidade "domesticada", conformista, a um simulacro do sexual como forma contemporânea de sua repressão.

Palavras-chave

Modernidade/pós-modernidade. O sexual. Totalitarismo.

 

Amor e sexualidade: Uma linguagem extraviada

Jassanan Amoroso Dias Pastore

Tomando como ilustração o romance e o filme O cheiro do ralo, este ensaio procura discutir a concepção psicanalítica de sexualidade que não admite necessariamente uma coincidência dessa com amor e vida, reunidos em torno de Eros, e desenvolver a idéia de uma espécie de amor que rompe o elo com Eros e se liga à pulsão de morte (Tânatos).

Palavras-chave

Amor. Fusão. Gozo. Sexualidade contemporânea. Unheinliche.

 

O corpo como estrangeiro

Paulo Roberto Ceccarelli

O texto trata da questão da construção da representação psíquica do corpo próprio e da aquisição da diferença sexual. Baseado no estudo do transexualismo e dos chamados "estados intersexuais", ou pseudohermafroditismo, o autor discute como o corpo é percebido nestas duas configurações psíquicas e analisa os elementos presentes na construção do sentimento de identidade sexual e suas relações com o corpo. No transexual, o corpo é visto como estrangeiro, pois em desacordo com o sentimento de identidade sexual; nos intersexuais, o corpo torna-se estrangeiro quando o sujeito é informado que não pertencer ao sexo que lhe fora atribuído, fazendo emergir um real que não corresponde aos universais da anatomia em relação às categorias do masculino e do feminino. A partir daí, coloca-se a questão da diferença dos sexos: em que consiste essa diferença? Onde ela se situa? Na linguagem? Na lei? Será ela apenas um operador?

Palavras-chave

Corpo próprio. Diferença sexual. Estados intersexuais. Identidade sexuada. Transexualismo.

 

O olhar sobre o estrangeiro

Fanny Blanck Cereijido

A palavra estrangeiro contém a raiz grega xenos e exprime o desprezo e a estranheza suscitados pelo que se considera estranho, alheio, bárbaro e indesejável. O preconceito é a parte inconsciente da ideologia da sociedade que justifica a discriminação, a separação e a exploração de um grupo por outro. Racismo e ódio pelo estrangeiro implicam a impossibilidade de se desenvolver sem desvalorizar, excluir e odiar os que são diferentes. Atribuir traços indesejados ao outro provém da necessidade de proteger a coerência da própria imagem. O ódio racista dá lugar ao ódio pela cultura, costumes, tradições e religião do outro. Sem dúvida, há forças libidinais ligadas ao outro que permitem a integração dos estrangeiros nas sociedades. Simultaneamente ao desenvolvimento do racismo moderno, surge uma descoberta etnológica de grande importância que confirma o mito adâmico que propõe uma única origem para a humanidade.

Palavras-chave

Estrangeiro.Etnocentrismo. Outro. Prejuízo.

 

Racismo: Uma questão cada vez mais delicada

Caterina Koltai

Este trabalho pretende discutir o racismo entendido como sintoma social, como forma de mal-estar na civilização. Aborda seu recrudescimento nos dias atuais e a forma que vem assumindo travestindo-se de anti-racismo, como é o caso das políticas de discriminação positiva.

Palavras-chave

Estrangeiro. Racismo. Ressentimento. Sintoma social. Vítima.

 

 

Partilha, testemunho e formas contemporâneas do excessivo

Paulo Endo

Este artigo discute os testemunhos como formas de oposição às catástrofes. Examina a produção testemunhal escrita e oral como expressões radicais da linguagem. O autor analisa a representabilidade testemunhal à margem da representação. Do mesmo modo e juntamente com diversas produções escritas e orais, destaca o trabalho psicanalítico como espaço privilegiado de produção testemunhal: o testemunho do inconsciente, do trágico e do traumático.

Palavras-chave

Catástrofe. Representação. Testemunho. Trauma. Violência.

 

O outro e a violência da cultura

Tania Rivera

O ensaio propõe, com Freud, que a crueldade é fundamental na relação com o outro, e há, portanto, uma violência inerente à cultura. A psicanálise é o campo cultural que trata privilegiadamente da incidência dessa violência sobre nós, ou seja, do trauma. A arte contemporânea, porém, pode também convocar a força do trauma, da crueldade que nos constitui, graças à apresentação do objeto em sua dimensão de objeto caído, dejeto. Trabalhos do artista luso-brasileiro Artur Barrio são trazidos, nesse contexto, para um diálogo com as idéias de Jacques Lacan a respeito do chamado objeto a.

Palavras-chave

Arte contemporânea. Cultura. Outro. Violência.

 

O psicanalista estranha…

Dora Tognolli

Nesse texto, a autora parte das considerações de Freud sobre o estranho (unheimlich), reconhecendo sua importância e reservando-lhe um lugar especial, dentro da teoria psicanalítica e do trabalho na clínica. Ilustra a escrita com os trabalhos antropológicos de Lévi-Strauss e Roger Bastide, e com vinhetas extraídas da clínica.

Palavras-chave

Ambivalência. Angústia. Estranho. Transferência. Unheimlich

 

Notas sobre o conto "O espelho", de Guimarães Rosa

Yudith Rosenbaum

Partindo do conto "O espelho", de Guimarães Rosa, a autora busca algumas aproximações entre cinema, literatura e psicanálise, discutindo aspectos referentes ao imaginário e seu enlace com o real.

Palavras-chave

Cinema. Guimarães Rosa. Psicanálise.

 

O grotesco, o estranho e a feminilidade na obra de Cindy Sherman

Alessandra Monachesi Ribeiro

O presente artigo traça um percurso, a partir das obras da artista plástica Cindy Sherman, no qual a feminilidade é repensada fora da dico tomia definidora dos campos masculino e feminino, em que os mesmos se articulam em torno da lógica fálico / castrado. Por meio do trajeto da artista, é possível aproximar o feminino do grotesco e, conseqüentemente, do estranho, conceito psicanalítico que aponta para uma região de fronteira, que escapa à possibilidade de circunscrição no âmbito do psíquico e do simbólico. Com isso, a feminilidade revela-se como outra via de subjetivação possível em nossos tempos, a ser perscrutada pelo campo psicanalítico.

Palavras-chave

Cindy Sherman. Estranho. Feminilidade. Grotesco. Psicanálise.

 

Um pódio de palavras

Edson Luiz André de Sousa

Este artigo mostra a potência crítica e a função interpretativa que a arte produz no discurso social. Analiso alguns aspectos da relação entre arte e psicanálise a partir de um trabalho de Arthur Bispo do Rosário intitulado Podium, que tem a força de interrogar o poder inscrito em todos os "pódios sociais" que produzimos. A partir de uma leitura da obra de Bispo desenvolvo algumas relações entre criação, arte e utopia.

Palavras-chave

Arte. Arthur Bispo do Rosário. Poder. Utopia.

 

Em que língua teria Édipo conversado com a esfinge?

Joyce Kacelnik

A autora, a partir de sua experiência pessoal e de uma pesquisa da história da psicanálise, pretende demonstrar o quanto a questão da língua estrangeira ficou esquecida entre os temas psicanalíticos, o que pode ter ocorrido pela própria resistência à questão do estrangeiro, do Unheimlich de Freud. A autora parte da hipótese de que uma análise que se realiza em língua estrangeira ficaria a desejar, comparada a uma análise realizada em língua materna para a dupla analítica, e desconstrói tal idéia, esclarecendo que as diferenças presentes não são impeditivas de um trabalho analítico criativo.

Palavras-chave

Língua estrangeira. Língua materna. Psicanálise.

 

Cinema, psicanálise; espectador, analista: Campo, contracampo

Danilo Sergio Ide

Freud (1914/1996d) analisa o Moisés de Michelangelo seguindo a regra fundamental da psicanálise, tomada, porém, como regra de recepção: a obra é analisada segundo a mesma atenção dedicada pelo analista a um paciente. Nesse caso, obra e paciente tornam-se contrapontos: "o paciente como obra de arte" (Frayze-Pereira, 2004). Entretanto, na aproximação entre cinema e psicanálise, busca-se comumente o paralelo entre espectador e paciente. Ambos se assemelham pelo fato de estarem submetidos a regras. Regra de produção, proposta pelo analista ao paciente: tudo merece ser dito. Regra de recepção, proposta pelo diretor ao espectador: tudo merece ser visto. Entretanto, o analista também está submetido a uma regra de recepção: tudo merece ser ouvido. No cinema, melhor seria contrapor dois planos, um do espectador e outro do analista, montados como campo e contracampo.

Palavras-chave

Cinema. Psicanálise.

 

Quem é estrangeiro no mundo dos homens?

Eduardo C. B. Bittar

Este artigo procura problematizar o uso corrente do termo estrangeiro, trazendo à consciência a discussão a respeito das formas pelas quais se leva em consideração, do ponto de vista ético, a dimensão do outro. Direcionase, portanto, à compreensão dos dilemas da vida social contemporânea, e à crítica leitura da sociedade globalizada.

Palavras-chave

Direito. Estrangeiro. Ética. Globalização. Psicanálise.

 

O estrangeiro entre a arte e a psicanálise

Ricardo Prado Pupo Nogueira

O inconsciente se manifesta tanto sobre o psicanalista como sobre o artista. Cabe ao psicanalista saber interpretá-lo, enquanto ao artista cabe emprestar seu corpo para que através dele se faça arte. Nota-se que, em práticas tão distintas, os dois apresentam formas muito semelhantes de aproximação com as manifestações.

Palavras-chave

Arte moderna. Associação livre. Inspiração artística. Percepção.

 

Sintaxe do tempo nos tempos de hoje

Plinio Montagna

O autor aborda algumas sutilezas da composição e do modo de vivenciar o tempo no mundo mental, sua continuidade/descontinuidade, permanência/ impermanência, atemporalidade inconsciente, e problematiza a aceleração e a condensação do tempo no mundo contemporâneo, de primazia do presente. Relaciona essas questões ao tempo da sessão/processo analítico, virtualidade do espaço transicional e considera implicações para a possibilidade resiliente, hoje.

Palavras-chave

Contemporâneo. Identidade. Resiliência. Self. Tempo.

 

Desamparo e violência de gênero: Uma formulação

Susana Muszkat

O presente artigo, partindo de uma crítica às políticas públicas em violência de gênero, pretende trazer ao leitor, as noções fundamentais da teoria construcionista e de como as articulei com a metapsicologia freudiana, uma vez que vejo nessas duas teorias do conhecimento, um denominador comum fundamental: o processo de desconstrução de paradigmas e modelos de funcionamento fixos. Nesse sentido, o trabalho, embora focado mais exclusivamente nas práticas violentas masculinas, tem como aspiração maior, evidenciar um modo de se pensar e praticar o trabalho clínico psicanalítico para além da clínica individual. Proponho uma distinção entre modalidades de atos violentos,

cunhando a expressão desamparo identitário. Essa proposição, embora formulada a partir do estudo das práticas de violência masculina, carrega a possibilidade de ser estendida, contribuindo na compreensão de fenômenos de universos bem distintos, do âmbito social, individual e institucional.

Palavras-chave

Construcionismo social. Masculinidade. Psicanálise. Violência de gênero.

 

O nascimento da melancolia

Moacyr Scliar

É feita uma síntese histórica do conceito de melancolia, desde a antiguidade até os tempos modernos, estabelecendo relação deste conceito no contexto social, cultural e psicológico.

Palavras-chave

Melancolia. Modernidade.

 

O acontecimento e a temporalidade O après-coup no tratamento

Jacques André

O título deste artigo, "O acontecimento e a temporalidade", indica os dois pólos considerados. Enquanto a primeira entrevista de uma análise dispõe das condições (quase) garantidas de um fenômeno de aprèscoup, sob o duplo registro do trauma e da abertura, seu acontecimento no desenrolar de um tratamento analítico é bem menos garantido. A conjunção fecunda de um momento traumático com uma reorganização psíquica conseqüente faz muitas vezes esperar, quando não cansa a própria espera. "Nada acontece nesta análise". As referências privilegiadas à repetição

do obsessivo ou à neutralização do processo, tal como se observa em algumas configurações borderlines, correspondem ao desejo de abordar a problemática do après-coup mais a partir de suas falhas, ausências ou formas estranhas que de suas realizações bem-sucedidas. O après-coup é uma questão de tempo. Não se pode isolá-lo de uma concepção psicanalítica mais ampla da temporalidade. Insere-se num conjunto do qual a afirmação freudiana da atemporalidade do inconsciente é a formulação mais original. Em sua generalidade filosófica, o tempo não é objeto da psicanálise. No entanto, as formas da inscrição psíquica do sujeito humano no tempo interpelam tanto a teoria analítica quanto sua prática. Qual é o lugar, o papel, do efeito de après-coup no processo de temporalização? Qual é o lugar do acontecimento na construção da temporalidade?

Palavras-chave

Après-coup. Recalque. Recalque originário. Temporalidade.Trauma.

 


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