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Livro: Sacher-Masoch: O frio e o cruel

 
 
 
Livro: Sacher-Masoch: O frio e o cruel

 

Sacher-Masoch: O frio e o cruel


Autor(es): 

Gilles Deleuze

Editora:  Zahar
Área(s): 


Páginas:136 pág..


Preço: R$ 0,00
  Não Disponível

Descrição:

Onde o masoquismo tem a ver ou não com o sadismo. A obra de Masoch, comparada com a de Sade, na brilhante leitura de Gilles Deleuze.

“O destino de Masoch é duplamente injusto”, resume Deleuze, um dos mais importantes pensadores contemporâneos. Sacher-Masoch, que inspirou a formulação do neologismo “masoquismo”, teve ao longo dos anos sua obra praticamente esquecida e associada com os escritos do Marquês de Sade. O filósofo realiza uma brilhante leitura comparativa entre as obras do austríaco e de Sade, atento ao valor literário e ao viés psicanalítico. Um livro que ilustra bem a ideia deleuziana de que o artista ou o escritor é um pensador tanto quanto o filósofo ou o cientista. 

“Para Deleuze, a literatura é uma atividade clínica, e o grande artista é mais um médico do que um doente.” Roberto Machado, professor de filosofia da UFRJ.

Tradução: Jorge Bastos
Revisão Técnica: Roberto Machado - prof. do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, UFRJ

“Para Deleuze, a literatura é uma atividade clínica, e o grande artista é mais um médico do que um doente.”
Roberto Machado


SOBRE O LIVRO

As técnicas são célebres: brincar de urso ou de bandido, fantasiar-se de serviçal, ser caçado, amarrado, sofrer castigos, humilhações e até fortes dores físicas causadas por uma mulher opulenta empunhando o chicote; colocar anúncios classificados, assinar “contrato” com a mulher amada e, se preciso for, prostituí-la. Os fetiches citados caracterizam os gostos amorosos comuns na rica obra de Leopold von Sacher-Masoch. O escritor só teve seu nome associado à perversão sexual depois que o psiquiatra alemão Krafft-Ebing criou o neologismo masoquismo, uma homenagem por ter descrito em detalhes “esse tipo de sentimento da vida”. Mas o termo virou sinônimo de prazer obtido pela dor e sua obra foi totalmente
esquecida, reduzida a pornografia.
Em Sacher-Masoch: o frio e o cruel, o autor quer reparar a injustiça de Masoch não ser tão lido quanto Sade e de clinicamente servir de complemento ao sadismo. O filósofo faz uma comparação entre as obras dos dois escritores, mostrando que uma unidade sadomasoquista é equivocada. O sadismo e o masoquismo têm significados totalmente diferentes, sendo um mais do que o desejo de causar dor e o outro mais do que o desejo de sofrer.
“Repetiu-se tanto que o mesmo sujeito é sádico e masoquista, que acabamos acreditando. Sendo o julgamento clínico cheio de preconceitos, devemos recomeçar tudo, e de um ponto situado fora da clínica, o ponto literário, a partir do qual, aliás, foram denominadas as perversões em questão.”
Nascido na região da Galícia no século XIX, o nobre Sacher-Masoch começou a carreira literária com romances históricos, que tiveram grande repercussão na época. Sua obra foi influenciada por problemas de minorias, nacionalismos e movimentos revolucionários.


SOBRE O AUTOR
GILLES DELEUZE (1925-95), filósofo francês, foi um dos mais importantes pensadores da segunda metade do século XX.
Veja outros títulos de Gilles Deleuze na Livraria Resposta




ÍNTEGRA DE APRESENTAÇÃO DE ROBERTO MACHADO

Esse livro ilustra bem a ideia deleuziana de que o artista ou o escritor é um pensador tanto quanto o filósofo ou o cientista. Mas ele é também um exemplo perfeito de como, para Deleuze, a literatura é uma atividade clínica, e o grande artista é mais um médico do que um doente. Deleuze jamais reduziu a literatura à linguagem. Privilegiando a relação da arte com a vida, ele considera que a nova linguagem criada por um grande escritor tem a ambição de pensar o homem e o mundo — o que faz do literato um clínico, alguém que diagnostica as forças vitais, um “médico da civilização”, como Nietzsche diz do filósofo.

Nessa perspectiva, Deleuze pensa a obra de Sacher-Masoch como elevando a língua a um limite de intensidade que torna possível descrever a subjetividade masoquista, nomeando uma perversão não porque sofra dela, mas porque expõe ou renova seus sintomas. E se o psiquiatra alemão Krafft-Ebing criou, em 1869, o neologismo “masoquismo”, foi para homenagear Masoch por haver descrito em detalhes “esse tipo de sentimento da vida”.

Será esse comportamento o sado-masoquismo? Não! Para Deleuze, o quadro clínico do masoquismo é irredutível ao sadismo. Juntar as duas perversões é confundir sintomas clínicos distintos. Pois, enquanto o masoquismo é, por exemplo, ligado a um contrato — contrato de submissão à mulher amada dominadora —, o sadismo está ligado à instituição. A questão do sadomasoquismo leva Deleuze a se posicionar aqui em relação à psicanálise, de um modo que ilustra muito bem sua ambivalência em relação a Freud e seus discípulos.

Por considerar injusto que Masoch não seja tão lido quanto Sade, Deleuze quer, com esse livro, reparar essa injustiça. E quer muito mais: lamentando que os teóricos do masoquismo — os psiquiatras, os psicanalistas — tenham se interessado tão pouco por sua obra, ele pretende mostrar que há em Masoch uma sintomatologia muito mais clara e precisa do que naqueles que defendem a unidade do sadismo e do masoquismo. E faz isso estudando e comparando brilhantemente as obras de Masoch e de Sade. 


ARTIGO – FOLHA DE S.PAULO - 23 de agosto de 2009

Gozar das leis

Ao repensar a obra de Sacher-Masoch, Deleuze associa o sadismo à ironia, e o masoquismo ao humor ante as regras, aceitando-as para melhor subvertê-las

VLADIMIR SAFATLE
ESPECIAL PARA A FOLHA

Sacher-Masoch: o Frio e o Cruel, de Gilles Deleuze [1925-95] poderia parecer uma obra menor no interior de uma experiência intelectual que nos deixou livros da envergadura de Diferença e Repetição, Mil Platôs e O Anti-Édipo, além de comentários fundamentais sobre filósofos como Hume, Nietzsche, Spinoza, Bergson e Kant.
Lançado na França como uma grande introdução à tradução de A Vênus das Peles, de Leopold von Sacher-Masoch [1836-95], o texto de Deleuze, que aparece agora ao público brasileiro, pode parecer preencher apenas duas funções.
Por um lado, trata-se de reconhecer o lugar de Sacher-Masoch como grande escritor, e não apenas como aquele que forneceu seu nome a uma perversão (o masoquismo) graças ao psiquiatra Richard von Krafft-Ebing, responsável pelo mais influente tratado de desvios sexuais do final do século 19 (Psychophatia Sexualis" de 1886).
Deleuze insiste na importância de sua obra, composta, em larga medida, de contos baseados em material folclórico de minorias que habitavam a Galícia [no Leste Europeu], como judeus, russos, húngaros, prussianos. Da mesma forma, ele não deixará de exaltar as qualidades literárias de A Vênus das Peles e do outro volume que compõe o ciclo O Legado de Caim.

A ironia e o humor
Mas Deleuze também aproveitará o comentário de Sacher-Masoch para mobilizar um amplo aparato psicanalítico a fim de discutir a natureza do masoquismo e a incongruência de pensar uma relação de complementaridade com seu oposto, criando com isso a categoria do sadomasoquismo.
Não se trataria apenas de duas perversões distintas, mas de duas lógicas completamente diferentes na constituição do objeto do desejo e na relação à lei moral. Essas duas lógicas são descritas por Deleuze por meio de uma associação que se mostrará plena de consequências. Ela consiste em afirmar que, no interior do sadismo, encontramos uma lógica que o associa à ironia, isso enquanto o masoquismo seria a encarnação mais evidente do humor. A princípio, essas associações podem parecer gratuitas.
No entanto, elas consistem em dizer que uma perversão não é simplesmente a descrição de alguma forma de desvio em relação a um padrão de conduta sexual socialmente partilhado. Ela é uma maneira de distorcer uma lei moral da qual o próprio perverso reconhece a existência. Neste sentido, Deleuze poderá dizer que, dada uma lei que reconhecemos, há duas maneiras de não a seguir.
A primeira é através da ironia. Deleuze pode afirmar isso por lembrar do conceito romântico de ironia, onde este aparece como uma posição na qual o sujeito sempre está para além de seus enunciados. Enunciar uma lei de maneira irônica significa mostrar que seu enunciador não está lá onde seu dizer aponta. Esse recurso a um lugar transcendente seria uma maneira de evidenciar que sigo um princípio para além da lei que enuncio.
Todo o esforço de Deleuze no livro será mostrar como a posição de Sade (escritor francês, 1740-1814) em relação à lei moral pode ser compreendida a partir desse esquema.
A segunda seria através do humor. O humor visaria torcer a lei por meio do aprofundamento de suas consequências.
Não colocamos nenhum princípio de significação para além da lei moral. Mas os efeitos da lei são invertidos devido à possibilidade de torções nas designações: "a mais estrita aplicação da lei tem o efeito oposto a este que normalmente esperávamos (por exemplo, os golpes de chicote, longe de punir ou prevenir uma ereção, a provocam, a asseguram)". Isto é Deleuze falando de Sacher-Masoch, este mesmo Sacher-Masoch em quem o filósofo vê uma insolência por obsequiosidade, uma revolta por submissão.

A paródia do desejo
Essa maneira de torcer a lei fará Deleuze insistir em que só podemos compreender o masoquismo por meio de conceitos como a paródia. Afinal, que nome poderíamos dar ao ato de firmar um contrato onde abro mão, livremente, de minha autonomia para me tornar escravo de uma dominatrix, ato absolutamente necessário no interior do cenário masoquista?
Mas, para além da descrição de uma perversão, Deleuze age como quem acredita que por meio do humor, da paródia, da passividade simulada, abre-se uma possibilidade de desdobrar a relação com o desejo, com a lei talvez mais próxima de nossa situação contemporânea. Só não esperávamos nos descobrir todos contemporâneos de Sacher-Masoch.

VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.

 


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