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Descrição:
Conferência proferida em 22 de março de 2006 em Brasília. Gravada em DVD - Duração: 1 hora e 13 minutos
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TRECHO INICIAL DA CONFERÊNCIA O primeiro aspecto importante que eu gostaria de mencionar é o fato de que a pesquisa em psicanálise no Brasil só ganhou lugar na academia em meados dos anos 80. Houve um evento significativo na PUC-SP em 85 ou 86, no qual psicanalistas que trabalhavam em cidades diferentes se reuniram com os representantes e diretores das agências de fomento para discutir a pesquisa em psicanálise e conseguir uma inserção e reconhecimento junto a estas agências,
Hoje já há uma grande quantidade de trabalhos na universidade, nos seus diferentes graus, mestrado , doutorado e livre docência. Há trabalhos de psicanálise defendidos nas universidades, ou seja, há uma grande massa crítica que permite que se discuta a especificidade da pesquisa em psicanálise.
Algo que tivemos oportunidade de observar nas universidades é a utilização da teoria psicanalítica como referencial teórico e de interpretação de dados conseguidos por outros meios e métodos que não o psicanalítico. Havia até então inúmeros trabalhos, diagnósticos, entrevistas, casos clínicos em que se utilizava a psicanálise como referente de interpretação. Mas só gradualmente se estabeleceu a pesquisa (a coleta de dados) pelo método psicanalítico.
Um dos aspectos importantes para o estudo da pesquisa em psicanálise é a existência de uma metodologia que nos possibilita a produção de um conhecimento (coleta e interpretação de dados) de um modo rigoroso pela aplicação de um método diretamente relacionado à clinica e que tenha uma importância científica frente às agências de fomento e à comunidade cientifica. É importante ser ter claro que a pesquisa precisa ser realizada com rigor, porque a pesquisa, além de uma importância cientifica, tem também uma importância política. A entrada da psicanálise nas universidades revelou que o desenvolvimento cientifico não é apenas produção de conhecimento mas também se associa com questões políticas, reservas de área, jogos de poder. Por isso foi fundamental que psicanalistas se unissem para produção de um conhecimento com uma metodologia rigorosa para que isso significasse uma intervenção política num determinado momento, para que a pesquisa em psicanálise fosse considerada legítima na academia.
Algo que nós tivemos durante longo período é que toda produção científica que foi realizada se baseava numa objetificação do fenômeno. Durante muito tempo, no nosso meio, só era considerada ciência a pesquisa que trabalhasse com a investigação de um tema ou assunto objetificado. A perspectiva, no nosso meio, sempre foi a de sujeito-objeto. Somente as pesquisas atreladas a esta perspectiva epistemológica que quantifica os fenômenos observados eram consideradas científicas. Hoje mesmo eu estava dando uma aula de metodologia na faculdade de psicologia, uma aula introdutória onde abordo algumas perspectivas epistemológicas e metodológicas em psicologia clinica e psicánalise. Eu estava introduzindo a perspectiva metodológica sujeito-sujeito e ela me disse: mas isso não é ciência! Como você vai quantificar isso?
Essa foi a mentalidade mais hegemônica do que deveria ser considerado ciência e, como se sabe, quando Freud de fato abordava a questão da psicanálise. Quando se deparava com fenômenos transferenciais, ele reconhecia que o que apresentava não era só uma terapêutica mas era também uma teoria e um método de investigação. Portanto, ser um método de pesquisa está nas raízes da psicanálise.
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